quarta-feira, 10 de abril de 2019

Shimmie - a vibração da alma.

A utilização de instrumentos de percussão nos transmite uma energia ancestral que vem do núcleo da Terra para o encontrar o núcleo de nosso corpo: nosso coração (relação com nossos batimentos cardíacos). Nos rituais femininos, as vibrações são interpretadas por shimmies, que possuem uma energia que ganha força em grupo, como um movimento que pode ser visto, sentido, passado e compartilhado, criando um laço sinérgico entre os indivíduos de uma comunidade.
Mas o que é  shimmie? É um movimento de vibração que pode ser regido por algumas partes do corpo como: joelhos, quadris, pelve, pés, mãos, ombros, peitos e cabeça. Na dança do ventre, os mais comuns são os que dão visibilidade aos quadris.
Instrumentos Árabes

O shimmie de Joelhos Alternados/Egípcio¹ é o mais usado por conseguir conjugar controle e velocidade. Consiste em um movimento alternado de eixo frente/ trás dos joelhos (ênfase na extensão),que gera uma reverberação vertical de baixo para cima.
O shimmie de Tensão pode ser descrito como uma evolução do shimmie  Egípcio. Ele é muito controlado devido a tensão muscular, os joelhos movem para frente e para trás com uma amplitude mínima e acelerados; a vibração reverbera de baixo para cima.
O shimmie de Quadril/ Libanês² é o segundo mais usado, ajuda nos deslocamentos, tem muita precisão e uma limitação de velocidade. É gerado a partir da contração e relaxamento alternados da musculatura abdominal oblíqua (ênfase na contratação), trabalhando o eixo vertical e reverberando de baixo para cima.
O shimmie Africano³ é um movimento mais solto e descontrolado. Vem das danças africanas e muitas vezes gera uma impressão visual de incorporação⁴. Ele se ramifica em pélvico, de joelhos com peso a frente, de joelhos com peso atrás e conjugado. O pélvico trabalha o eixo de encaixe e desencaixe da pelve (ênfase no desencaixe), criando uma reverberação de cima para baixo. Os shimmies Africanos de Joelhos partem do mesmo princípio, que é a flexão (ênfase) e extensão deles simultaneamente; o posicionamento do peso do corpo faz com que a vibração fique mais a frente ou atrás, reverberando também para baixo. O conjugado é a união do pélvico com um dos de joelhos.
Existem mais três shimmies que geram movimento no quadril, esses têm o mesmo ponto de regência que são os pés, sendo dois em meia ponta. Shimmie Tchutchu5 tem como origem o movimento pas de bourrée en couru6, consiste em ficar na meia ponta alta tirando de forma alternada o pé do chão em uma movimentação mínima e rápida com a perna é bem fechada; o movimento é para cima reverberando verticalmente de baixo para cima. O outro seria um tipo Invertido do Tchutchu,  na meia ponta alta com alternância de pés, gerando um impacto para baixo que faz barulho no contato com chão, reverberando de cima para baixo. O último é o shimmie de Calcanhar, que ocorre em deslocamento, batendo alternadamente e arrastando os calcanhares no chão e a reverberação ocorre de cima pra baixo.
O shimmie de Ombro é movimento frente e trás e quando é feito de forma alternada ele é chamado de Peito, por ter uma reverberação maior nessa região. Também existe outro shimmie de Peito que consiste num movimento vertical gerado pela contratação e relaxamento do diafragma.
O shimmie de Cabeça está situado dentro dos movimentos do khaligee7 e da kawleeya8. Consiste em jogar o cabelo para frente e com a cabeça inclinada fazer movimentos laterais ou de meia rotação (gesto de negação com a cabeça) - gera um efeito visual lindo com cabelo, onde ele reverbera.
Por fim, dando tchau, vem o shimmie de Mão que é feito como a meia rotação, que vai e volta.
Esses foram o shimmies que aprendi na minha vida como dançarina. Se alguém souber de mais algum, poste aqui nos comentários.

1- Esse nome é por sua maior utilização ser entre as dançarinas egípcias.
2- Esse nome é  por sua maior utilização ser entre as dançarinas libanesas.
3- Esse shimmie vem das danças e rituais africanos.
4- Quando um espírito entra no corpo de uma pessoa.
5- É a saia armada usada pelas bailarinas; o shimmie recebe esse nome como referência a sua origem.
6- Movimento feito pela bailarina, com a sapatilha de ponta, que consiste em movimento mínimo de alternância de pés.
7- Dança folclórica do golfo pérsico; em árabe significa golfo.
8- Dança folclórica das ciganas iraquianas.


Referências:
STWEART, Iris J.  A dança do sagrado feminino. São Paulo: Pensamento- Cultrix, 2016.
Workshops e aulas com os professores:
Linda Hathor.
Igor Kischka.
Natália Trigo.
Márcia Nut.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Roda Saia

Roda saia
Imagem da internet
Gira e brilha
Num leve farfalhar...
Como uma onda que me rodeia
E meu espírito quer levar...

Saia desce, saia sobe
Dança no meu corpo a girar
Me levando para mundo
De onde não quero voltar.

Bato saia...
Bato pé...
Bato palmas...
E sem palavras
Minha alma canta
No me corpo a dançar

Não sei se eu rodo a saia...
Ou se ela que vem me girar...
Roda, gira e vira...
Com a vida continuar
Num eterno sonho a dançar.


terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Refletindo sobre meu texto... Ou como escolher um nome artístico

Nós nascemos sem ter noção do mundo que nos cerca e somos etiquetados com um nome que nos é dado sem o menor conhecimento de como seremos (muitas vezes sem sequer saber o significado do nome), se temos a ver com nossos nomes, e o carregaremos para o resto das nossas vidas.
Não sei se já assistiram ao programa “DRAG ME AS A QUEEN”. Um programa que é transmitido no canal “E!”, apresentado pelas drags queens Penélope Jean (a mais performática), Rita Von Hunty (a mais culta) e Ikaro Kadoshi (a mais emocional – minha preferida), que tem como ideia central transformar mulheres em drags queens (figurino, maquiagem e performance) e assim melhorar suas autoestimas.

Da esquerda para direita: Ikaro Kadoshi, Rita Von Hunty e Penelope Jean

Um dos pontos auges do programa, na minha opinião, é quando as apresentadoras fazem sugestões para os nomes de drag. Essas não são feitas de forma aleatória. As drags fazem perguntas pessoais sobre a participante e, em cima das respostas, cada drag inventa um nome e a participante escolhe com o qual se identifica mais.
Por que falar sobre isso? Como escrevi no meu primeiro post, meu nome artístico foi muito bem pensado - é uma mistura ou resumo de tudo quero transmitir com minha dança, com minha arte. Por isso, digo: PENSEM MUITO BEM ANTES DE ESCOLHER, pois esse será um nome realmente representativo da sua personalidade, um nome que você tem nas mãos a escolha.
Eu escolhi o caminho de me fragmentar em eu artístico, mas esse pode não ser necessariamente o seu caminho... Se for, busque conteúdo, sentido e não só sonoridade (que também é importante). Já que vamos ser uma personagem, que ela tenha história, vida, alma... Que seja o melhor que você pode ser e transmitir!!
Dafne Dahab em árabe - escrito por mim


Drag me as queen

Eis que surge Dafne Dahab

Na mitologia grega, Apolo é um deus de várias facetas, ligado: ao sol e todo seu poder; aos oráculos e premiações; à beleza e juventude masculina (puer aeternus*); às pragas, doenças e sua cura (medicina); etc. Filho de Zeus com Leto, irmão de Ártemis que constitui sua oposição (masculino/feminino, sol/ lua, dia/noite, branco/preto).
Era um dos deuses olimpianos mais importantes, que inclusive entra no panteão de deuses ligados à guerra (sendo um dos construtores da muralha de Tróia). Entretanto, foi um dos deuses mais rejeitados por deusas, semideusas e mulheres.
Mas, por que essa volta toda? Vou contar o mito de uma de suas desventuras amorosas... com Dafne.
Dafne era uma ninfa**, filha do Rio Peneu (entre Ossa e o Olimpo, no vale de Tempa). Ela era consagrada à deusa Ártemis e, como a deusa, fez votos de castidade.
Em uma de suas viagens, rasgando o céu como sol, Apolo avista Dafne e se apaixona profundamente por ela. Ele tenta seduzi-la e é rejeitado; então, passa a perseguir a ninfa.
Dafne, desesperada, foge e, quando se encontra próxima ao Rio Peneu, é alcançada. Mas, antes que o deus consiguisse violentá-la, seu pai (o Rio), para salvá-la, a transforma em um loureiro.
Apolo, ao ver o triste fim de sua amada, a  consagr fazendo com que o loureiro seja parte de seus rituais e sagrado aos seus seguidores.
Por esse motivo, escolhi esse nome para representar meu lado artístico. Dafne, em grego, significa loureiro/ louro/ dourado; simboliza a vitória - era dada uma  coroa de louros aos vencedores dos jogos olímpicos; a saúde, por seu poder medicinal ; e a juventude por se manter verde e frondosa durante o ano.
Como dançarina oriental, não poderia deixar de trazer comigo um nome arabe: Dahab. ذَهَبْ que significa ouro/ dourado, ou seja, sou uma redundância ambivalente; sou gêmeos com ascendente em aquário; sou o ar em movimento; sou dança com alma,corpo, cor, luz e sentimentos.


*Puer aeternus - jovem enterno
** Ninfa - espíritos femininos, ligados à natureza e suas forças, que agem como uma ramificação dos deuses gregos que habitam o mundo humano.

dança do ventre, Apolo, Dafne, mitologia grega

domingo, 13 de janeiro de 2019

Eis que surge Dafne Dahab

Na mitologia grega, Apolo é um deus de várias facetas, ligado: ao sol e todo seu poder; aos oráculos e premiações; à beleza e juventude masculina (puer aeternus*); às pragas, doenças e sua cura (medicina); etc. Filho de Zeus com Leto, irmão de Ártemis que constitui sua oposição (masculino/feminino, sol/ lua, dia/noite, branco/preto).
Era um dos deuses olimpianos mais importantes, que inclusive entra no panteão de deuses ligados à guerra (sendo um dos construtores da muralha de Tróia). Entretanto, foi um dos deuses mais rejeitados por deusas, semideusas e mulheres.
Mas, por que essa volta toda? Vou contar o mito de uma de suas desventuras amorosas... com Dafne.
Dafne era uma ninfa**, filha do Rio Peneu (entre Ossa e o Olimpo, no vale de Tempa). Ela era consagrada à deusa Ártemis e, como a deusa, fez votos de castidade.
Em uma de suas viagens, rasgando o céu como sol, Apolo avista Dafne e se apaixona profundamente por ela. Ele tenta seduzi-la e é rejeitado; então, passa a perseguir a ninfa.
Dafne, desesperada, foge e, quando se encontra próxima ao Rio Peneu, é alcançada. Mas, antes que o deus consiguisse violentá-la, seu pai (o Rio), para salvá-la, a transforma em um loureiro.
Apolo, ao ver o triste fim de sua amada, a  consagr fazendo com que o loureiro seja parte de seus rituais e sagrado aos seus seguidores.
Por esse motivo, escolhi esse nome para representar meu lado artístico. Dafne, em grego, significa loureiro/ louro/ dourado; simboliza a vitória - era dada uma  coroa de louros aos vencedores dos jogos olímpicos; a saúde, por seu poder medicinal ; e a juventude por se manter verde e frondosa durante o ano.
Como dançarina oriental, não poderia deixar de trazer comigo um nome arabe: Dahab. ذَهَبْ que significa ouro/ dourado, ou seja, sou uma redundância ambivalente; sou gêmeos com ascendente em aquário; sou o ar em movimento; sou dança com alma,corpo, cor, luz e sentimentos.


*Puer aeternus - jovem enterno
** Ninfa - espíritos femininos, ligados à natureza e suas forças, que agem como uma ramificação dos deuses gregos que habitam o mundo humano.

dança do ventre, Apolo, Dafne, mitologia grega